Resposta rápida
Dar uma entrada maior ou investir? A decisão depende principalmente da reserva de emergência necessária, do custo efetivo do financiamento, da rentabilidade líquida esperada dos investimentos e do impacto de cada alternativa sobre sua liquidez e seu patrimônio. Comparar apenas juros e rentabilidade pode levar a uma decisão inadequada.
Você tem dinheiro guardado e está comprando um imóvel. Surge então uma dúvida muito comum: vale mais a pena usar uma parte maior do dinheiro na entrada ou financiar um valor maior e manter o restante investido?
À primeira vista, pode parecer que basta comparar a taxa de juros do financiamento com a rentabilidade dos investimentos. Mas essa conta, sozinha, não é suficiente.
A melhor decisão depende da sua situação financeira como um todo.
1. Quanto você precisa manter como reserva de emergência?
Antes de usar uma parcela significativa dos seus investimentos na compra do imóvel, é importante separar o dinheiro que precisa continuar disponível para imprevistos.
Usar praticamente toda a liquidez para aumentar a entrada pode reduzir bastante o financiamento, mas também pode fazer você terminar a compra com um imóvel e pouco dinheiro disponível.
E imóvel é patrimônio, mas não tem a mesma liquidez de uma reserva financeira.
Por isso, a reserva de emergência não deveria entrar nessa comparação como se fosse simplesmente mais um investimento disponível para a entrada.
2. Qual é o custo real do financiamento?
Não olhe apenas para a taxa de juros anunciada.
Para avaliar o financiamento, é importante conhecer o Custo Efetivo Total, o CET, que reúne os custos envolvidos na operação e permite uma comparação mais fiel do custo da dívida.
Quanto maior o custo do financiamento, maior tende a ser o benefício financeiro de reduzir o saldo financiado.
3. Quanto o dinheiro pode render se continuar investido?
Do outro lado da comparação está o patrimônio que permanecerá investido.
E aqui também é preciso tomar cuidado com contas simplificadas. Não faz sentido comparar o custo do financiamento com uma rentabilidade bruta excepcional que determinado investimento apresentou recentemente.
A análise deve considerar uma rentabilidade líquida plausível para o prazo, levando em conta tributação, risco e horizonte do investimento.
4. Como cada alternativa afeta seu patrimônio?
Imagine duas situações.
Na primeira, você utiliza grande parte dos recursos na entrada. Fica com uma dívida menor, mas também com boa parte do patrimônio concentrada no imóvel.
Na segunda, dá uma entrada menor e mantém parte dos recursos investida. Preserva liquidez e diversificação, mas continua pagando juros sobre uma dívida maior.
É por isso que a resposta não está somente em descobrir qual número é maior. A decisão também envolve liquidez, endividamento, diversificação e concentração patrimonial.
Então, é melhor investir ou dar uma entrada maior?
Não existe uma resposta única.
Antes de decidir, eu analisaria pelo menos quatro pontos:
- Quanto precisa permanecer líquido como reserva de emergência.
- Qual é o CET do financiamento.
- Qual é a rentabilidade líquida razoavelmente esperada para os investimentos.
- Como cada alternativa afeta seus objetivos e seu patrimônio nos próximos anos.
Em alguns casos, aumentar a entrada será a decisão mais interessante. Em outros, preservar parte dos investimentos fará mais sentido.
E pode existir ainda uma terceira alternativa: usar parte do dinheiro para aumentar a entrada e manter outra parte investida.
Planejamento financeiro não é encontrar a melhor decisão em termos absolutos. É encontrar a decisão mais adequada para a sua realidade, considerando seus números, objetivos e prioridades.
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